Dissertação - Luana Peçanha dos Santos

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Influência da plastisfera na toxicidade de microplásticos associados ao cobre

Autor: Luana Peçanha dos Santos (Currículo Lattes)

Resumo

A poluição por microplásticos representa uma ameaça complexa aos ecossistemas estuarinos, atuando como um cenário de múltiplos estressores que integra degradação física e colonização biológica. Este estudo investigou o impacto da fotodegradação e da sucessão ecológica da plastisfera na toxicidade de microplásticos de policarbonato (PC) para o copépode harpacticóide Nitocra sp., considerando a interação com o cobre (Cu) como contaminante associado. Microplásticos de PC foram submetidos a fotoenvelhecimento artificial (UV) por 30 horas, equivalente a aproximadamente 174 dias de exposição ambiental (São Paulo, Brasil). A caracterização por Microscopia Eletrônica de Varredura (MEV) e Micro Espectroscopia de Infravermelho por Transformada de Fourier (FTIR) revelou que a fotodegradação aumentou significativamente a rugosidade superficial e a reatividade química das partículas através da formação de novos grupos carbonila (C=O). A formação da plastisfera foi monitorada por 30 dias em condições controladas utilizando inóculo ambiental. Os resultados demonstraram uma sucessão ecológica dinâmica: enquanto o Cu inibiu inicialmente a densidade bacteriana (até o dia 10), a maturação da plastisfera (30 dias) resultou em uma recuperação acentuada, atingindo densidades de 4.325 ± 80 células mm-2 superiores à plastisfera isolada. A análise de metabarcoding (16S, 18S e ITS) indicou que o cobre atuou como um filtro seletivo, favorecendo gêneros metal-tolerantes como Alteromonas. Em contraste, a biomassa algal (clorofila-a) sofreu uma redução significativa no trigésimo dia sob exposição ao metal, indicando toxicidade tardia sobre a comunidade fotossintetizante. Ensaios de ecotoxicidade aguda (96h) revelaram que a maturação da plastisfera altera a biodisponibilidade do contaminante. Embora a matriz biológica tenha reduzido as concentrações de Cu dissolvido na água, funcionando como um sumidouro do metal, a exposição combinada aumentou a mortalidade de Nitocra sp. Este fenômeno sugere que a plastisfera madura concentra o metal na superfície da partícula, tornando esta mais tóxica, bem como um vetor químico mais potente para organismos detritívoros. Os resultados enfatizam que o risco ecológico dos microplásticos não deve ser avaliado apenas pelo polímero prístino, sendo a integração entre a fotodegradação e a evolução biológica da plastisfera, determinante para o destino e o efeito desses poluentes no compartimento bentônico.

TEXTO COMPLETO

Palavras-chave: OceanografiaEcotoxicologiaBiodisponibilidadeFotodegradaçãoMicroplásticosPolicarbonatoCopépodesNitocra sp.CobrePlastisfera